Capa de Por que Eles Vão Embora?
Educação profissional

A cadeira vazia é o resultado visível. A trajetória começou antes.

Por que Eles Vão Embora?

O que existe por trás da evasão nos cursos técnicos e profissionalizantes

Compreenda as trajetórias por trás da cadeira vazia e reconheça sinais enquanto o estudante ainda está presente.

Edição1ª edição2026Extensão188 páginas16 × 23 cmIdiomaPortuguêsBrasilFormatosFísico e KindleDuas ediçõesISBN978-65-02-31892-8Edição impressa
Sobre o livro

Uma visão completa da obra.

Uma cadeira vazia é apenas o resultado visível de uma trajetória. Por que Eles Vão Embora? investiga o que aconteceu antes: as expectativas com que o estudante chegou, as experiências vividas, os sinais que surgiram e os caminhos que se abriram depois.

Em 15 capítulos e um caderno com 15 ferramentas práticas, a obra distingue evasão, abandono, permanência, retenção e mobilidade; examina trabalho, aprendizagem, pertencimento, condições materiais e organização institucional; e ajuda professores e equipes da educação profissional a interpretar evidências e agir sem fórmulas prontas nem busca por culpados.

O desafio

Você reconhece esta situação?

Quando um estudante deixa de aparecer, dizer que ele desistiu parece encerrar a questão. Essa explicação esconde expectativas, condições materiais, experiências de aprendizagem, pertencimento, trabalho, sinais anteriores e mudanças de trajetória.

A proposta do livro

Olhe para a trajetória antes de explicar a cadeira vazia.

Aprenda a distinguir evasão, abandono, não conclusão, retenção, mobilidade e êxito; reconstrua trajetórias, interprete indicadores com rigor e transforme evidências em decisões possíveis sem procurar um culpado único.

“Compreender por que alguém sai começa por observar o que aconteceu enquanto essa pessoa ainda estava presente.”
Ao final da leitura, você será capaz de:
✓Distinguir conceitos que indicadores costumam misturar
✓Reconstruir a jornada anterior à cadeira vazia
✓Reconhecer sinais, fatores de risco e fatores de proteção
✓Interpretar dados sem transformar correlação em causa
✓Examinar aprendizagem, pertencimento, trabalho e condições materiais
✓Planejar respostas docentes e institucionais mais conscientes
Perguntas que orientam a leitura

As respostas começam com as perguntas certas.

Questões que a obra desenvolve com contexto, critérios e exemplos.

01

O que aconteceu antes de o estudante deixar de aparecer?

02

Toda saída representa fracasso ou existem trajetórias diferentes?

03

Que sinais podem ser percebidos enquanto o aluno ainda está presente?

04

O que está ao alcance do professor, da instituição e das políticas públicas?

Por dentro da obra

Uma jornada organizada para você avançar.

Conceitos e aplicações apresentados em uma sequência coerente.

01

Transformações da educação profissional

Parta da cadeira vazia para compreender como trabalho, educação profissional e estudantes mudaram.

02

Conceitos e evidências sobre evasão

Diferencie evasão, abandono, mobilidade, retenção, conclusão e êxito antes de interpretar resultados.

03

Jornada e sinais anteriores

Acompanhe a jornada desde a escolha do curso até as fricções, sinais e decisões que antecedem a saída.

04

Aprendizagem e pertencimento

Observe como professor, aprendizagem e pertencimento podem proteger ou fragilizar a permanência.

05

Trabalho e condições materiais

Considere o aluno que estuda para trabalhar e trabalha para estudar, sem simplificar condições materiais.

06

Permanência e ação institucional

Examine a própria instituição, qualifique indicadores e transforme conhecimento em possibilidades de permanência.

Explore antes de escolher

Conheça a estrutura e experimente a leitura.

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Sumário completo15 capítulos
  1. O aluno que não voltou
  2. A educação profissional mudou
  3. O aluno também mudou
  4. Evasão não é tudo a mesma coisa
  5. Nem toda evasão é fracasso
  6. Por que eles vão embora?
  7. A jornada até a cadeira vazia
  8. Os sinais aparecem antes
  9. Antes mesmo da primeira aula
  10. Professor, aprendizagem e pertencimento
  11. O aluno estuda para trabalhar — e trabalha para estudar
  12. Quando a instituição também precisa se observar
  13. Apoio ajuda. Mas ajuda em quê?
  14. Medir para compreender
  15. Da evasão à permanência
Degustação aberta

Capítulo 1 - O aluno que não voltou

Na terceira semana de aula, a cadeira de Rafael ficou vazia. Na primeira falta, ninguém estranhou. Na segunda, um colega disse que ele havia conseguido trabalho. Na terceira, alguém comentou que o ônibus da cidade vizinha já não chegava a tempo. O professor se lembrou da dificuldade de Rafael com os cálculos da disciplina e concluiu, por alguns segundos, que o problema talvez fosse aprendizagem.

Três explicações plausíveis apareceram antes de qualquer conversa com o estudante. Nenhuma precisava ser falsa. O erro seria escolher uma delas e tratá-la como causa suficiente.

Rafael é um personagem composto. Sua história reúne situações recorrentes nas pesquisas sobre cursos técnicos: trabalho, deslocamento, dificuldade acadêmica, desencontro entre expectativa e curso e uma comunicação que se rompe antes que a instituição compreenda o que aconteceu. Ele não representa uma pessoa específica. Representa a pergunta que uma cadeira vazia deveria provocar:

O que aconteceu antes?

No recorte de educação profissional do Censo Escolar, o Brasil registrou 3.187.976 matrículas em 2025. A série permite recuar a 2016, quando o total era de 1.859.940 matrículas. Houve oscilação e recuo em alguns anos, antes da expansão recente; entre 2016 e 2025, a variação foi de 71,4% (INEP, 2017; 2018; 2023; 2025a; 2026). Embora o Censo seja uma pesquisa da educação básica, estes valores não representam o ensino regular inteiro. Também não representam somente cursos técnicos: reúnem modalidades heterogêneas da educação profissional, cuja classificação varia entre as edições. Matrículas não são pessoas — um estudante pode aparecer em mais de uma matrícula — e esse número não é uma taxa de evasão. Ele apenas dimensiona quantas trajetórias educacionais podem ser afetadas por boas ou más condições de permanência.

Também não existe uma única taxa nacional capaz de resumir todos os cursos técnicos. Uma instituição pode contar como evasão a saída do curso; outra pode observar a saída da instituição; uma terceira pode acompanhar quem não concluiu dentro de certo prazo. Integrado, concomitante e subsequente atendem públicos e rotinas diferentes. Comparar percentuais sem conhecer definição, população, período e denominador produz precisão aparente, não conhecimento.

As próprias pesquisas mostram a diversidade do campo. Uma revisão sistemática sobre cursos técnicos da Rede Federal recuperou 4.789 registros e incluiu 172 teses e dissertações — 13 teses e 159 dissertações — publicadas entre 1996 e 2024 (RODRIGUES; MARTINS; ARANTES, 2025). Outra revisão, voltada a artigos sobre cursos presenciais concomitantes e subsequentes no Brasil, recuperou 727 registros e incluiu 14 estudos do período de 2015 a 2025 (DEGANUT; AZEVEDO; SBROCCO, 2026). Os números não devem ser somados: são buscas, critérios e universos diferentes.

As revisões encontram, de forma recorrente, dificuldades financeiras, conflito entre estudo e trabalho, problemas pedagógicos e pouca identificação com o curso. Recorrência, porém, não equivale a um ranking causal universal. Um fator observado em muitos estudos locais pode ter sentidos diferentes em cada trajetória. Trabalhar pode retirar tempo de estudo, financiar a permanência ou ser exatamente o objetivo que levou o aluno ao curso.

Há outra limitação. Bases administrativas registram matrícula, frequência, resultado e situação acadêmica com mais facilidade do que registram cuidado familiar, renda instável, deficiência, pertencimento racial ou a sequência de acontecimentos que antecedeu a saída. Ao examinar a Rede Federal entre 2017 e 2022, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou lacunas em informações socioeconômicas e de grupos específicos. Quando o dado não existe ou está incompleto, a desigualdade também pode desaparecer do painel (TCU, 2024).

Por isso, uma cadeira vazia é um evento visível, não um diagnóstico. Ela pode significar uma falta temporária, mudança de turma, transferência, interrupção, abandono ou uma saída já formalizada. Antes de nomear o fenômeno, é preciso saber qual unidade está sendo observada — disciplina, curso ou instituição — e em qual intervalo.

Imagine que a equipe consiga falar com Rafael. Ele conta que aceitou um trabalho temporário. O turno termina tarde, o último ônibus sai cedo e as faltas se acumularam. Também diz que não havia entendido quanto de matemática o curso exigiria. Qual foi a causa?

A pergunta continua mal formulada. O emprego abriu o conflito de horário; o transporte reduziu as alternativas; a dificuldade acadêmica aumentou o custo de retornar; a expectativa imprecisa tornou o curso menos reconhecível. Talvez um desses elementos

O que torna esta obra diferente

Profundidade para compreender. Clareza para continuar avançando.

01

Pesquisa e dados traduzidos em perguntas úteis ao cotidiano

02

Rigor conceitual sem linguagem inacessível

03

Caderno com 15 ferramentas práticas e modelos editáveis para apoiar a ação

04

Leitura humana e não culpabilizadora das trajetórias

Para quem foi escrito

Encontre seu lugar nesta leitura.

Professores, instrutores, equipes pedagógicas e gestores da educação profissional.

✓ Professores e instrutores de cursos técnicos e profissionalizantes✓ Pedagogos, supervisores, coordenadores e orientadores✓ Equipes responsáveis por permanência e êxito✓ Gestores de instituições públicas e privadas de educação profissional
Antes de começar

O que você precisa para aproveitar a leitura

✓Não exige formação em pesquisa ou gestão educacional

✓Experiência ou interesse em educação profissional ajuda a relacionar os casos à prática

Uma escolha consciente

Talvez não seja o livro ideal se…

—Quem procura uma fórmula capaz de impedir toda saída

—Quem deseja atribuir a evasão a uma causa ou a um culpado único

Por que este autor, neste tema

Experiência que dá contexto à leitura.

Professor e instrutor com experiência em educação profissional e tecnologia, Régys aproxima evidências, indicadores e situações de sala de aula para ajudar equipes a compreender trajetórias sem reduzir pessoas a percentuais.

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ISBN da edição impressa: 978-65-02-31892-8